Eu sei que numa relação devemos ceder, devemos aceitar que a outra pessoa tem a sua vida e as suas coisinhas favoritas para fazer. Sei isso tudo. Mas também sei que quando estamos numa relação devemos fazer o nosso melhor para encaixar a outra pessoa nas nossas vidas e nas nossas coisinhas. Sei que por mais que tentemos nem tudo agrada à outra parte, nem tudo nos agrada a nós e, por isso, temos de conseguir chegar a um ponto óptimo que nos permita fazer o que mais gostamos incluindo a outra pessoa. Certo?
O J. tem uma cena que ele adora fazer que é pescar. Não vejo qualquer tipo de problema nisso, nem fico chateada quando ele decide ir pescar de um dia para o outro. Fico triste. É isso que sinto... tristeza. Porque quando ele vai, eu não vou. É estúpido eu sei, mas a verdade é que essas aventuras acontecem sempre ao fim de semana e será que é assim tão errado eu querer conseguir passar um dia com ele em vez de passar só noites durante a semana?
Isto só me faz pensar que se calhar estou naquela posição ingrata em que simplesmente gosto mais que ele, que quero mais que ele, que é tudo mais que ele. Sempre soube que numa relação há sempre alguém que gosta mais... Só nunca estive nessa posição.
Por outro lado não queria que isto nos afastasse mas sinto que não posso confiar ou sequer assumir que o vou ter para fazer coisinhas ao fim de semana porque claramente que não é isso que tem acontecido. E, o pior, é mesmo o facto de já ter estado numa relação assim... Uma relação em que quando eu estava livre ele estava ocupado a fazer o seu hobby, aka voleibol. Nessa altura eu conclui que não fazia qualquer tipo de sentido eu ficar à espera dele e comecei a viver a minha vida não em função dele e dos momentos que ele tinha para estar comigo mas em função da minha vida e dos momentos que nós poderiamos ter livres ao mesmo tempo. A verdade é que isto nos afastou. A verdade é que isto me cansou. A verdade é que nos saturou aos dois. A verdade é que no momento em que eu disse i'll do me and you'll do you as coisas começaram a quebrar. Eu já não estava disponível. Ele já não podia contar comigo. Contudo, ele nunca esteve disponivel para mim.
Acho muito bonito a cena do "se não quiseres eu não vou". Bem, acho isso simplesmente detestável. Porque quando eu não quero ir ou opto por não ir não faço questão de puxar ou assunto. Decido por mim. Bem, se calhar o plano é fazer a mesma merda. "Olha vou jantar com o R. ficavas chateado se eu fosse?" Depois se ele tem a coragem de dizer que sim eu só posso dizer ya... o teu hobby é a pesca, o meu é ser social e apoiar os meus amigos. Hasta. Enfim, imagino onde é que isso me iria levar... E o que me irrita é que automaticamente decidi não fazer isso... Mas se calhar é isso que tem de mudar. A minha vida tem de continuar.
Again, a vida podia ser um sitio mais simples mas para isto efectivamente não vejo solução. Não encontrei solução para isto em 5 anos e acho que vou continuar sem encontrar. Só me resta mesmo o "i'll do me and you'll do you." Embora saiba que isso não resulta...
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